Secretaria de Missões da Igreja Assembleia de Deus Ministério no Ipiranga

Missão Urbana – A visão da Igreja para as Cidades

O povo eleito de Deus, em toda sua trajetória veterotestamentária, deteve o poder sobre a revelação daquele que os havia criado e elegido para formar uma grande nação, tanto que se orgulhavam disso:

Mostra a sua palavra a Jacó, os seus estatutos e os seus juízos, a Israel.

Não fez assim a nenhuma outra nação; e, quanto aos seus juízos, nenhuma os conhece. Louvai ao SENHOR! (Sal. 147:19-20 ARC)

Jesus, o Messias ou Cristo, sendo judeu e o próprio Filho de Deus (Mat.16:16; At.2:36) e a Palavra conforme João 1:1, compreende o que dEle se dizia nos profetas (Is.42:4;51:5 e 60:9). Em assim sendo, diz que sua Palavra deve ter livre curso e não mais ser produto de um grupo, mas anunciada a todo o mundo, ainda que para isso seja feito de forma que todas as regiões sejam alcançadas e nenhuma seja negligenciada(Mt.24:14; At.1:8; 13:47 e Rom.10:18).

Isto posto, nos perguntamos o porquê ainda precisamos ser desafiados a compartilhar as Boas Novas do Reino? Acredito que, na minha parca e tacanha compreensão, um dos problemas detectado, está relacionado com a cosmovisão do clericalismo evangélico brasileiro, que vem a ser como explica Albert M. Wolters:

“As ideias que constituem esta cosmovisão vieram de uma longa tradição de reflexão Cristã sobre as Escrituras e nossa perspectiva total do mundo, uma tradição enraizada nas próprias Escrituras e teve como alguns de seus representantes mais proeminentes os Pais da Igreja Irineu e Agostinho, e os tão conhecidos Reformadores Tyndale e Calvino.

Tal cosmovisão escriturística mencionada é às vezes chamada de "reformacional" após a Reforma Protestante, que descobriu novamente o ensino bíblico concernente à profundidade e escopo do pecado e da redenção. O desejo de viver pelas Escrituras somente, antes do que pelas Escrituras ao lado da tradição, é uma marca dos Reformadores. Nós seguimos seu caminho nesta ênfase bem como em querer uma reforma progressiva, em querer ser reformados pelas Escrituras continuamente (ver Atos 17:11; Romanos 12:2), antes do que viver por tradições não examinadas.

A reflexão reformacional na cosmovisão tem ocupado distintas formas à medida que tem se movido no século vinte, algo que pode ser visto especialmente na obra de líderes holandeses como Abraham Kuyper, Herman Bavinck, Herman Dooyeweerd e D. H. T. Vollenhoven. Suas contribuições a uma compreensão mais profunda e articulada da cosmovisão bíblica vieram através da teologia, filosofia e outras disciplinas acadêmicas, e especialmente através da ação cultural e social que surgiram de um profundo desejo de serem obedientes às Escrituras em todas as áreas da vida e do serviço.

O termo cosmovisão [worldview] veio da língua Inglesa como uma tradução da palavra alemã Wel-tanschauung [percepção (de mundo), ponto-de-vista, concepção (de mundo), cosmovisão]. Este termo tem a vantagem de ser claramente distinto de "filosofia" (ao menos no uso alemão) e de ser menos enfadonho do que a frase "visão do mundo e da vida", que foi preferida pelos neo-Calvinistas alemães (provavelmente seguindo um uso feito popular pelo filósofo Alemão [Wilhelm] Dilthey). Um sinônimo aceitável é "perspectiva de vida" ou "visão confessional". Nós podemos também falar mais vagamente sobre o conjunto dos "princípios" ou "ideais" de uma pessoa. Um marxista chamá-lo-ia de uma "ideologia"; a classificação mais prevalecente nas ciências sociais hoje provavelmente é "sistema de valores". Estes termos são menos que aceitáveis porque os próprios termos possuem conotações de determinismo e relativismo que revelam uma cosmovisão inaceitável.

Para nossas finalidades, cosmovisão será definida como "a estrutura abrangente das crenças básicas de alguém sobre coisas.” (Albert M. Wolters, "What is a Worldview?" em Creation Regained: Biblical basis for a reformation worldview (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2000)

            Ante a esta completa definição do termo, desenvolvo meu pensamento sobre a dificuldade de muitos em atender às exigências do Cristo, sendo a Cosmovisão o grande moderador daquilo que produzem ou não, pois guardada devidas proporções exegéticas de Mateus 6:21 e 45, nossas intepretações de mundo são nítidas pela forma como atuamos. Se tiramos coisas de nossos corações e nossos tesouros demonstram nossos focos, logo, nossas prioridades devem ser repensadas.

            Costumo dizer que ninguém pode dar o que não tem, ou só damos aquilo que temos, tendo em vista que o Evangelho é uma “Boa Nova de Grande Alegria” e isto a qualquer cultura, e não compartilhamos esta Boa Nova, depreende-se que nós, ou não a entendemos ou não a temos. Lembrando que Paulo, o Apóstolo, diz por duas vezes (1Cor.11:23; 15:3) que recebera de Jesus o que também entregava e ensinava, ou seja, só podemos entregar o que de fato recebemos.

            Sabendo que o Evangelho é para todas as gentes, é eficaz em seu poder para Salvação de todos os povos, nossas denominações e Igrejas devem estar atentas à eficácia de sua ortopraxia. Nada resolve uma excelente ortodoxia se a ortopraxia é tacanha e pífia. Não devemos terceirizar a atuação ante aos problemas culturais detectados, uma vez que temos uma intepretação dogmática hamartiologica e soteriologica cultural. Nossa inércia perante as convulsões morais e éticas denunciam uma má interpretação da cultura e do papel e função da Igreja.

            Se fizermos um levantamento de quantas pessoas em nosso quadro de rol de membros, foram acrescidas nos últimos dez anos, que teremos? Um susto, uma alegria ou um motivo de louvor a Deus! Consideremos uma cidade com 60 mil habitantes e uma congregação com capacidade para 350 pessoas sentadas, ou seja, menos de 0,6 % da população e que passa 10 anos sem conseguir agregar 35 novos membros ao ano, levará quantos anos para chegar a alcançar 10% de sua cidade? Parece exagero, mas a Igreja Evangélica Assembleia de Deus já ultrapassa os mais de 118 anos de existência e louvamos a Deus pelo crescimento vertiginoso que obteve neste interim, porem não podemos esquecer que os dados supramencionados também são nossas realidades atuais.

            Sou contra o proselitismo (Mt.23:15) que nada mais é que esperar e investir no Evangelho buscando apenas adicionar novos prosélitos ao rol de membros locais, sem qualquer projeto de Reino e investimentos nas áreas que não serão vistas em relatórios mensais e por conseguinte anuais. Cada  igreja pode traçar projetos para suas regiões independentes de suas compreensões de missões transculturais, tais quais fazer um levantamento da quantidade de grupos existentes em suas cidades, ou seja, o numero de portadores de deficiências visuais por exemplo, são um modelo apenas, pois se quer conseguimos aproveitar o momento para desenvolvermos membros ativos da Igreja para estudarem e se especializarem em Libras para nos direcionarmos para esta ala de nossa sociedade e, através do Evangelho alcança-los para o Reino de Deus!

            Quantos jovens temos em nossa Cidade? Recentemente visitei o Missionário Janes Robson Dias no interior do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais e me deparei num domingo, após almoçar com a filha do casal, com uma mente que está alinhada com o Missão Urbana, pois sendo missionária por natureza e de criação no campo, tendo passado por Ceará e agora em MG. não se aquietava ante sua tenra idade juvenil. Em poucos minutos descreveu-me ter buscado informações de quantos jovens existiam em sua Cidade, não bastasse isso buscou saber quantos jovens viviam na região central ou urbana e quantos viviam nos sítios do interior.

            Temos inúmeras necessidades em nossas denominações e Igrejas, porém é possível delimitarmos nossas ações e direcionarmos os nossos esforços e recursos, tanto financeiros quanto humanos. Cristo sabia onde queria chegar e para que fora enviado. Paulo de igual modo, conhecia sobre seu chamado e tinha direção certa e apontado para onde desejava chegava prosseguia para seu alvo ou o prêmio da Soberana Vocação!

            Hoje com parcerias entre COJADI, SEMADI e SETADI, podemos envolver jovens, promotores de missões na formação teológica para servirmos sem restrições às nossas comunidades. Desenvolvermos estratégias para cada região de nossos alcances e projetos a curto, médio e longo prazo. Comecemos analisando quantos candidatos a batismos temos em nossos setores e congregações em particular, são satisfatórios considerando a capacidade no templo ou salão ante o percentual da população?

            Quantas festividades temos anualmente e quantos não evangélicos são alcançados? Quanto investimento financeiro foi necessário? Quantas pessoas estavam envolvidas? Quantas congregações foram envolvidas? Ônibus, vans, comida, pregadores, músicos e cantores, quantos novos membros e vidas transformadas produz tudo isso?

            Bartimeu (Mar.10:16-52) era alguém que vivia à margem da rua, ou seja, era um marginalizado que era desprezado pela multidão que marchava ao lado do próprio Jesus, que se quer queriam parar para ouvi-lo. Jesus ao ouvir seu clamor parou, se virou para onde estava e mandou que o trouxessem, ou seja, todo aquele ritmo foi interrompido para que o marginalizado fosse ouvido! Ao perguntar ao moço o que ele queria que lhe fosse feito, Jesus estava ensinando aos discípulos e todos os presentes como a nós hoje que, devemos, como Igreja, devolver a voz àqueles que foram sufocados pelas esmolas do esquecimento e a anulação social.

            O endemoninhado de Gadara (Mar. 5:4)é um caso semelhante, pois a sociedade, cansada de toda a ocupação com o jovem acaba por o colocarem do lado de fora. De igual modo, nas grandes Cidades, temos os mesmos problemas sociais e humanos, onde perante os grandes problemas degenerativos da moralidade e da saturação do crescimento desordenado, nada sabem fazer senão expulsar de si e abandonarem à margem.

            A igreja, por sua vez, através de sua cosmovisão centrada e redirecionada pelo Cristo, movimenta-se em direção às regiões onde estes estão e ouvem seus gritos de socorro. Não fomentando o assistencialismo nem invertendo a posição da Igreja em seu mandato cultural afim de não se perder em sua função. As frentes de Capelanias; carcerárias, hospitalares, militares e esportivas, devem ser o ferramentário para as ações da Missão Urbana bem como as frentes evangelizadoras em vários sentidos. Estratégias antigas devem ser revistas de forma pragmática, ou seja, em sua funcionalidade e eficácia para que não haja desperdício de material humano ou desgaste da equipe disponível.

            Concluo afirmando que, se tivermos um mínimo de pessoal, disposto a atuar para o progresso do Reino de Deus, avançaremos firmemente. Desenvolva-se slides com estatísticas de levantamento da Cidade e Estado, quiçá País com atuação local ou responsabilidade da Igreja e membros direcionando forças para etapas pré-estabelecidas e com prazos a curto, médio e logo prazo. A Igreja como um todo deve ser incluída na responsabilidade, não apenas de evangelizar em momentos esporádicos, mas na atuação de cada um na cultura em que se encontra inserida, seja na educação, no comércio, nas artes em geral.

       E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou Jesus, a quem tu persegues.

Mas levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, livrando-te deste povo e dos gentios, a quem agora te envio, para lhes abrires os olhos e das trevas os converteres à luz e do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam a remissão dos pecados e sorte entre os santificados pela fé em mim.

Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial. (At. 26:15-19 ARC)

           

Evangelista Silvio Silva – AD Ipiranga

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